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Thursday, June 11, 2009


Simplesmente feliz - muito jóia


"o bom humor de Poppy é como o mau humor de outras pessoas - não tem explicação. Ainda assim, é uma bênção, para ela e para quem vive à sua volta. Porque Poppy simplesmente decide enxergar o lado bom de qualquer coisa - até de um tombo que lhe rende uma dor nas costas ou do roubo da bicicleta que é seu meio de transporte principal, em Londres.

Não é tão simples decifrar Poppy. Ela nada tem de ingênua, como alguns poderiam pensar. Ela sabe que o mundo não é nada cor-de-rosa, que o mal existe em toda parte. Mas decidiu enfrentar essas constatações normais de qualquer vida a partir de uma outra postura. E com isso contribui incrivelmente para tornar o mundo melhor.

Aos 30 anos, Poppy não tem crises com a sua solteirice. Aproveita sua condição indo a baladas com as amigas e namorando sempre que a oportunidade se apresenta. Um primor de autoaceitação e autoestima, vive feliz com o fato de que não é a mulher mais bonita do mundo, muito menos a mais elegante - seu guarda-roupa colorido e estampado é, muitas vezes, o que se pode chamar de brega, sem nenhuma maldade. Ela não acha. Quem quiser, que goste dela como é. Senão, ela vai sorrir do mesmo jeito.


Nescola onde trabalha, a professora é uma espécie de alma gêmea de seus pequenos alunos, cuja liberdade de imaginação e sentimentos consegue espontaneamente compartilhar.

Mas não é omissa quando descobre que um aluno está se tornando agressivo. Seu bom humor implica tomar partido, ainda que procurando a forma mais delicada e não violenta para fazê-lo.Como nenhum filme vive sem um bom conflito ou opositor, este se apresenta sob a forma de Scott (Eddie Marsan, de "21 Gramas"), o instrutor de autoescola de Poppy.

Ninguém poderia ser mais diferente dela: paranoico, machista, homofóbico, misógino, ele é um manual ambulante de ressentimentos. Poppy certamente o encara como um desafio, ainda mais quando nota que ele está ficando obcecado por ela.
Também autor do roteiro original (igualmente indicado ao Oscar 2009), Mike Leigh desenvolve uma história com a mesma humanidade de todas as suas outras obras. Sua direção permite que os atores revelem uma verdade, que o público enxergue a estrutura emocional de seus personagens como pessoas de carne e osso, que poderiam existir fora do filme. É isto o que torna seus trabalhos tão envolventes, este em particular, pela entrega em estado de graça de sua protagonista, que atua pela terceira vez sob a direção de Leigh, depois de integrar o elenco de "Agora ou Nunca" (2002) e "O Segredo de Vera Drake" (2004).Uma cena memorável - a aula de flamenco, em que brilha uma professora (Karina Fernandez) que parece saída de um filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar."

fonte: cineweb uol
e eu concordo!


"Caramel" (Caramelo) é um filme para entender o sentido do amor, principalmente do amor-próprio e dos sacríficios que somos capazes de fazer para sermos amados.

"...Layale (Nadine Labaki, que inclusive dirige o longa) ilude-se num relacionamento com um homem casado; Nisrine (Yasmine Elmasri) quebrou o protocolo da virgindade pré-matrimonial; Jamale (Gisèle Aouad) reluta em aceitar e demonstrar os sinais do envelhecimento; Rima (Joanna Moukarzel) tem uma forte queda por mulheres; e Rose (Sihame Haddad) abdica da vida social para cuidar da irmã Lili (Aziza Semaan).
Tons coloridos, a make forte das personagens, conflitos do universo feminino e transgressões: o conjunto destes fatores acaba resultando num estilo almodovariano de fazer cinema, pode-se considerar que "Caramelo" contém um alto grau de ousadia para os padrões comportamentais femininos árabes.
Nadine Labaki acerta a mão em não deixar o drama tomar conta da história, mantendo o equilíbrio com pitadas cômicas que ficam por conta do visual 80's de Jamale e dos petardos da velhinha Lili.
Vale citar a trilha sonora, que ora embala as cenas com um piano sutil, ora com violinos que rememoram arabicamente a fogosidade do tango. O resultado é a metáfora que se cria: assim como o caramelo que se saboreia ou se utiliza para depilar, estas mulheres vivem a ambivalência entre doçura e desejo ou amargura e dor.